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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Não sei

nada de ti.

E subitamente o meu blog volta a ter o mesmo sentido que tinha antes: falar contigo quando não me podes ouvir. Não é que desta vez não possas ouvir-me. Apenas não queres. Só que, desta vez não te digo que escrevo, escrevo só. Não quero que aches que tento convencer-te de alguma coisa. Possivelmente encontraste outra pessoa. Ou já não és feliz comigo. Não sei. Nem de ti. Não sei de ti. Nada. Não sei mesmo nada. E fico tão triste. 

Não jogas League of Legends há três dias. Três dias. Sabes o que isso é? Há três dias que não durmo por saber que podes não estar em casa. Ficava tão mais descansada se estivesses a jogar. Tão mais. Ah! Outra coisa que me esqueci de te dizer foi parabéns! Voltaste a Gold IV. Na sexta foi a reunião do nosso projecto e eu não sei de nada. Nada. Só achei que me fosses dizer. Continuas sem estar online. E eu continuo a rodar as janelas da caixa de escrita do blog para a caixa de entrada do gmail. Queria tanto Hangouts contigo agora, com direito a uma titice de despedida. Queria tanto combinar estar contigo amanhã das seis às oito já que tenho folga. Queria tanto que te lembrasses de mim e dissesses que tens um presente na minha casa pra vir buscar. 

Hoje vi na Primark umas camisolas com gatinhos na secção de criança. Gatinhos cheios de purpurinas. E pus-me a imaginar como seria estar contigo sob o mesmo tecto, e com os nossos titinhos pequeninos vestidos com aquelas camisolas que, juro, são a coisa mais fofa do mundo. Ontem chorei quando cheguei a casa. Porque queria ter comprado uma coisa que não comprei. Porque não estás mais aqui. Há também lá uns pijamas daqueles completos com animais. Sabes qual? Um panda. Um panda mesmo com a barriguinha branca. Desculpa meu amor... Um urso panda. Urso. Hoje também chorei, e não foi preciso chegar a casa. Aliás, hoje não quero chorar mais. Nem posso. Não almocei nem jantei. E já ontem fiz o mesmo. Hoje mal cheguei a casa, calcei uns ténis e vesti uma roupa confortável e fui correr. E corri quatro horas. Quatro horas que as ruas de Coimbra me ouviram cantar músicas deprimentes em altos berros, enquanto parava de dez em dez minutos para chorar. Sabes bem que sou assim. Choro de qualquer maneira. Mesmo quando está tudo bem eu choro. Imagina quando não está...

Tenho tantas saudades tuas que sinto que vou morrer.

E não, meu amor, não vai passar num instante, como tu teimaste em dizer.
Não vai.
O amor não passa. E eu, a ti, amo-te muito.
Sempre...

quarta-feira, 2 de abril de 2014

«Yesterday is history, tomorrow is a mistery, but today is a gift.
That's why we call it "present".»

Estou cansada. Já não uso lenços de papel pois estou em contenção de custos. Contenção essa que, na verdade, não é contenção nenhuma, já que a minha melhor terapia é ir às compras e esbanjar todo o meu dinheiro. Ainda assim, estou em contenção. O meu o melhor amigo já não é o pacotinho de lenços da Minnie (que também comprei por um preço exorbitante quando estava deprimida algures). O meu melhor amigo é, agora, um rolo de papel higiénico. E é tão macio.

Hoje joguei fora o lixo do meu caixote e tal como tinha reparado anteriormente, mais de metade eram bocadinhos maiores e menores de papel higiénico molhado e borrado de base e rímel. Não. Molhado já não. Porque o papel higiénico é assim, seca muito mais depressa. Entende que, tal como as lágrimas que correm dos meus olhos - cansados, mais uma vez, cansados - eu tenho pressa, tanta mas tanta pressa de casar os nossos apelidos, de unir as nossas almas tão bem como quando unimos as nossas bocas e mãos e corpos e - parou. Sai daqui só hoje, por favor. Só esta noite, para que o meu amigo deixe de ser o meu rolinho branco de papel. 

Se bem que ele não é mau. Ouve-me sempre, sempre. Ele nunca se cansa da minha história, das nossas histórias, mesmo que lhe conte o mesmo vezes e vezes sem conta. É mais que um amigo. E percebe-me melhor, aliás. Ele deixa-me tirar exactamente a quantidade que preciso, e não acaba logo... não tenho de utilizar outro lenço e desdobrar. Não! Basta puxar e rasgar. Exactamente como o que tu fazes com aquilo que eu sinto.
Às vezes usas um bocadinho só, outras vezes usas mais. Mas rasgas.
E olha que eu não sou um rolo de papel higiénico. 
A mim, dói.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A noite

já vai longa mas é sempre nestas alturas que me surgem coisas pra te dizer.

«Está tudo bem meu amor», digo-te quando tens a cabeça no meu peito e pedes festinhas no cabelo com barulhinhos que só eu compreendo. Mesmo quando não está tudo bem, quando pensas que as coisas nunca vão estar bem, eu sei. Eu sei que algures, daqui a umas horas, umas semanas, um mês, vai estar tudo bem. Porque só juntos, do lado um do outro, conseguimos passar pelas coisas, ficar, nós mesmos, bem.

Tem vezes em que a minha alma chora e não se nota nos olhos. Fica só aquele aperto no peito. Isso é quando imagino... Tenho medo que encontres alguém. Alguém mais do que eu. Eu sei que sou louca e que tu és louco e que somos uns incompreendidos pelo mundo. Nós sabemos. Só nós sabemos. Embora toda a gente saiba, só nós sabemos. Acho que é isto que é amar. Não um amor para a vida, mas um amor para sempre. Para depois de vida, depois de qualquer tipo de existência. Sou eu e tu. E eu não quero nem consigo imaginar a minha vida sem ti. Porque não dá. Ainda não te conhecia e já sabia que tinha de te conhecer - isso deve querer dizer alguma coisa, não? Não consigo compreender que força é esta que nos liga tanto e que não nos deixa nunca querer sair de perto um do outro. Mas sei que ela existe. E eu não quero deixar que ela saia de nós. Nunca. O meu medo é que encontres alguém mais irreverente, impaciente, incontrolável, insaciável, irritante, teimosa, estúpida, medrosa, chorona e que seja tão timidamente insegura. Tanto como tu. Tanto como tu és tantas coisas e eu sou tantas coisas. Será que algum dia, algures no meio da tua vida, vais encontrar alguém que seja tão diferente e tão igual a ti como eu sou? Alguém que se saiba expressar tão facilmente e ao mesmo tempo tão dificilmente como eu? Alguém que acredite no destino tanto como eu e que mesmo assim, o destino não lhe devolva a mínima coisa? Sim, porque tu não és o meu destino. O destino falha-nos e tu não falhas. Tu existes para me fazer seguir o que eu acredito piamente que é o meu destino, mas que nunca me prova ser. E hoje, nesta noite e sempre, eu preciso de te dizer obrigada meu amor. Obrigada por me fazeres acreditar nos meus sonhos, por me limpares as lágrimas e me assoares o nariz com esse jeito desajeitado - mesmo quando eu digo que é só a chuva no meu rosto. Obrigada por segurares a minha mão. Obrigada meu amor, por sermos tão maus e tão bons um com o outro que isso nos faça ter só uma certeza - nunca poderemos perder-nos.

Boa sorte nesta nova fase, meu amor.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Apanhei

o autocarro pelo caminho mais longo para casa para te ver.

Demoro cerca do quádruplo do tempo quando o faço. Uma viagem que normalmente me custa 6 minutos passa a custar quase meia hora. Mas ia valer a pena, por ti. Olhava pela janela e pensava em tudo o que já me tinhas dito. No que me dizias dia-sim, dia-não. E não sabia escolher qual das tuas divergentes opiniões deveria acatar. Gosto quando vens enrolar-te em mim. Mas passado umas horas, a tua língua, outrora enrolada na minha, enrola-se nela mesma e faz-me cair. Mais uma vez. Mais outra vez. Outra.

Gosto de me enrolar contigo, e se algum dia te enrolei de outra forma, peço desculpa. O único enrolamento que queria pra nós era aquele que, a mim, me fazia viver melhor. A minha mãe tem alergia ao pó, sabes? E quando anda a limpar, lá pela garagem coisas que só limpa de muito em muito tempo, tem crises alérgicas e precisa de usar uma bomba. Estar contigo sempre funcionou como a minha bomba. Eu não tenho grandes alergias, mas tenho as minhas crises. Todas nós temos. E tu és a cura delas. Sempre foste. O problema é que quando não te tenho, elas voltam. E estão a voltar agora, tanto. Queria poder fingir que está tudo bem comigo, mas nunca está. Já me agradeceste por ter sempre lutado, mas começo a perceber que esse foi o nosso mal. E peço-te perdão. Perdoa-me ter sempre insistido e ter sempre acreditado em nós. Pensava que éramos almas gémeas. E somos. Esse é o nosso pecado. Perder-te é perder-me e não está certo quando dependemos tanto de alguém. Pra mim tu já não eras uma pessoa alheia, ou outro ser. Tu, eras eu. Tu fazias parte de mim, como pessoa. E perdendo o presente e ter de passar a pretérito, perco os sentidos.  Perco os sentidos e sinto que te perco a ti. E perdendo-te a ti, perco-me a mim.

Passei na paragem do autocarro onde devia sair pra te procurar, e não toquei no botão para parar. 
Tal como os sentidos, perdi a coragem de te incomodar mais uma vez.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Olá

Queria perguntar-te algumas coisas, agora que nada queres que me diga respeito. Espero que estejas bem. É o que mais quero, todos os dias, desde que não nos contactamos. Nunca mais falámos sobre o teu estágio mas espero que esteja tudo a correr pelo melhor. Eu sei que tu consegues tudo o que quiseres e tens só de ter força e pensar nos teus objetivos. Sabes que me apaixonei por ti por seres tão inteligente e que o que mais gosto é quando me ensinas alguma coisa - ou várias. Infelizmente, tenho tido livros inteiros de perguntas e estórias e aventuras e desventuras pra te contar. Infelizmente não o poderei fazer pois o teu coração já não está comigo. E eu preciso que me ouças com ele no peito e não na mão, prestes a cair. Preciso que o agarres com força, mas com jeito. Só para que não o deixes cair nunca mais, para não se magoar. Ultimamente tem chovido muito e eu sei que se ele batesse na brita da calçada ia doer muito.

Preferia que não soubesses que te amo tanto. E preferia, mesmo, que não soubesses que estou sempre aqui, a ler as tuas mensagens que me mandas bruto, sem responder. Mas eu sei que tu sabes. De tudo. Apesar de não acreditares em nada. Tu sabes. Tudo. Mas eu preferia. Juro que preferia. Se calhar posso fazê-lo. Vou imaginar que está tudo bem, e escrever-te tantas mensagens quanto eu quiser. Vou ligar para a operadora e pedir que me arranjem um número. Um número que esteja desativado, que eu possa gravar com o teu nome e colocar uma foto bonita nossa. Encher o teu telefone imaginário de mensagens. E dizer tudo o que eu quiser. Do modo que eu quiser, como se estivesse tudo bem. Terias as «mensagens-senti» mais bonitas de todas, como já não pedes há tanto tempo. «Bom dia tiririco, já estás no trabalho?»; «Vou fazer almoço pra ti, com aquele arroz soltinho como tu gostas»; «Não consigo dormir hoje. Quem me dera que estivesses do meu lado, a dar conchas infinitas». 

A noite é mais fria sem ti. Mesmo com o meu pijama polar da Primark. A noite é tão fria. Não tem o calor das tuas palavras. Não tem o calor da tua respiração. Não tem o calor dos teus braços. E eu também não. Lembro-me sempre de ti, quando passeio pela casa. Imagino-te à espera do teu copo de água, que bebias em dois segundos. Imagino-te a reclamar por quereres dormir. Imagino-te a dizer que não queres alguma coisa, mas a sentir que é o que mais queres no mundo. Imagino-te a olhar pra mim enquanto passo eyeliner preto nos olhos. Imagino-te à espera que me vista em vinte minutos pra sairmos de casa. Imagino-te colado às minhas costas, com o braço debaixo do meu pescoço. Imagino tantas coisas.

Imagino.
Mas só imagino.

Sempre & pra sempre,
a tua Joana.

Viver

deste jeito não é viver.

Mas eu faço de conta que é. A vida leva-nos coisas quando nos quer trazer outras. Por vezes só muda pormenores e outras vezes muda tudo. Não és meu. Se calhar só achava que eras, e nunca fomos um do outro. Se calhar andámos sempre a fugir e nunca chegámos a encontrar-nos. Se calhar usávamos palavras nossas porque as comuns não se adequavam. Ou se calhar não. Se calhar. Não.

Os dias passam depressa e as noites devagar. E como eu gostava que fosse sempre de dia. A noite traz-te à minha cabeça (como se alguma vez conseguisses sair dela de dia!?). Mas à noite... à noite é assim. A noite dói muito mais que o dia. Julgo que tem a ver com o facto de haver mais silêncio, sabes? Costumo ouvir dizer que se queremos alguma coisa de volta, temos de nos calar, de manter o silêncio, de ignorar. Não dizer absolutamente nada. A noite faz isso comigo. A noite ignora-me. E com a noite, também tu. Também tu me ignoras. Num mundo perfeito, eu não pediria coisas perfeitas. Num mundo perfeito, a perfeição seria que me dissesses qualquer coisa. Nem que fosse que cheiro mal, que falo demais, que sou estúpida, que tenho manias, que não sentes a minha falta. Alguma coisa que eu pudesse, na minha mente de escritora, transformar em luzinha. Uma luzinha de esperança, como a daquelas velas que se acendem em Fátima para rezar pelos nossos. Como eu queria que me mandasses embora, que me obrigasses a nunca mais te ver, que me dissesses para nunca mais levar a ti os meus caracóis. Como queria que me dissesses que sair à rua sem maquilhagem não é para mim, nem nunca foi. Que fico horrível. Que tenho um cisco no olho. Que tenho um pêlo na camisola. Que tenho a cara suja. Qualquer coisa.

Ou não. Num mundo perfeito também nós nos ignoraríamos, porque ignorar faz sentido. Ignorar dá resultado. Ignorar faz perceber o quanto se gosta. Num mundo perfeito, ignorar seria a nossa cura. Deitados, abraçados na cama, a ignorar-nos mutuamente, enquanto te beijo o pescoço e te sussurro mentalmente ao ouvido que fazer amor contigo é a melhor coisa que tive no mundo imperfeito.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Duro

é sentir que te perco um pedacinho mais a cada dia.

Não me falas. Não te sinto. Não te sei. E já não me sei, por não te saber. Tu és meu e sempre foste. Sempre fomos um do outro. Como a chuva é das nuvens e como os raios são do sol. Inevitavelmente sempre fizemos chover nos raios e queimámos as nuvens. Inevitavelmente sempre evitámos evitar-nos. Ou eu evitei. Pois tu... evitas-me sempre. E eu sei que se te evitasse, tantas situações eram evitadas.

Não te sei. Não te tenho. Não te ouço. Mas quero-te. Como sempre te quis. Mais do que sempre te quis. Quero tudo o que é nosso e sempre foi. Quero ainda mais.

Quando te vais, levas-me sempre tudo. Tudo. E o sentido da minha escrita só se começa a sentir quando sinto a lágrima cair. Escrevo por escrever, na esperança que vais ler. E perceber. Baralho os estilos porque assim está a minha mente desde que te foste: baralhada. Mas o meu coração não está. Nunca esteve. E sinto que, para que ele não sinta, tenho de o arrancar. Pegar nele e colocar ao lado das tuas roupas perdidas no meu quarto, das memórias do teu mau dormir; de quando acordavas a meio da noite a discutir comigo e de manhã não te lembravas. Quero tanto escrever. Quero escrever quase tanto como te quero a ti: que é muito. Mas já não sei. Vês? Levaste-me tudo.

Procuro as tuas mensagens carinhosas que me devolviam o sorriso num piscar de olhos, num carregar de botão... e já não existem. O que existe é a minha dor, que me come o corpo lentamente, como o queimar de um cigarro, e o transforma em cinzas. E aí, tento eu mesma ser uma fénix e conseguir renascer... Mas cada vez que renasço, renasço por ti e para ti: porque tu existes. 

Nunca saberia não te ter.
Nunca saberei não te ter.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Pega

na minha mão como se nunca a tivesses pensado largar.

Sempre tive o dom da persistência e saber esperar é a minha melhor qualidade.

Sempre te escrevi. Mais nos maus momentos do que nos bons, e desta vez aqui está mais uma prova que a alma ferida é a que melhor se expressa. Não sei quanto mais tempo as nossas vidas se vão cruzar, ou se vão. Bem no fundo eu sei que sempre me pertenceste, quer estejas comigo ou com outro corpo. Tu és e vais ser sempre meu. Meu melhor, em tudo.

A minha mãe sempre me disse que o que arde, cura. E eu só espero que o tempo seja para ti o pior álcool etílico que alguma vez tocou as tuas feridas. E que esse tempo se expresse em horas, dias, semanas ou até meses. A vida não é nem nunca vai ser justa e boa para todos. A minha nunca foi. E foste tu que aos poucos a soubeste melhorar. Sempre disse aos meus botões que a nossa história daria mais que uma resma de enciclopédias, geniais, onde termos como "amor", "compreensão" e "perdão" apareceriam com modos que só nós sabemos, bem como os neologismos que sempre gostámos de criar em conjunto. Sei que estou tão marcada em ti como se tivesses tatuado, e tu estás em mim como uma cicatriz que fica depois de uma operação difícil: não dá para disfarçar - eu nunca soube. 

Não tenho muito na minha vida, mas aprendi a dar valor às coisas que conquistei. Acontece que nem sempre os meios justificam os fins, e os fins podem muito bem ser culpa dos meios. E eu, que sempre pus os teus meios pelo meio dos meus recalcamentos, não sou capaz de fazer com que os meus próprios meios não te calquem. Hoje, pisei merda. E preferia pisar merda todos os dias, a sentir que algum dia da minha vida te fiz sentir que poderias ser uma merda, pisada.

Se faz sentir, faz sentido. E eu, sinto tanto...

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Escrever-te

é sentir-te.

Sinto-te mesmo quando não me falas, por tua culpa, por minha, ou por culpa do destino. Há pessoas que têm o dom de ser notadas mesmo quando não estão presentes. E tu és uma delas. Aliás, tu és essa pessoa. Sempre senti, mesmo não te sentindo, que era de alguém como tu que eu precisava pra saber o que queria de mim. E o que eu quero é explicar-te. Tudo. Sempre. Para que não restem dúvidas. E tu sabes que eu sou assim, quando não posso ter-te ou falar-te, escrevo-te. 

Por vezes, pra estares vivo tens de matar os teus pensamentos. Mas eu sou quem mais lhes gosta de proporcionar que vivam. E então coloco tudo em linhas simples, para que saibas sempre que aconteça o que acontecer, eu te escrevo. E não preciso de grande esforço para o fazer, basta pensar em ti, que sorrio. E ao sorrir lembro-me eu mesma do teu sorriso. Como gosto quando faço parte dos motivos que o fazem aparecer... São os sorrisos que nos fazem acreditar que o futuro pode sorrir-nos de volta. Enquanto tu existires, os dias são leves e soltos. E como os dias, eu. É fácil soltar-me contigo, talvez por não ter medo que me julgues. E quando for julgada, que seja por ti.
Imagina-me um livro. Sabes o prefácio? Com a importância que tens poderias ser tu a escrever o meu. E quero dar-te todos os pormenores que necessitas para o fazer, no mundo das suposições. Sentirei isso sempre que olhares pra mim e sorrires. E o teu sorriso... o teu é tão bonito...

Sorris de novo, por favor?

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Há coisas

que mudam.

Deveria ser uma verdade incontestável.
Acho que é.

Acordei e tive de pensar em ti. Mais uma vez não estás presente mas para mim é como se estivesses. É bom saber de ti. É bom estar do teu lado a ouvir-te falar e contar as tuas aventuras e desventuras. Há dias em que gostava que estivesses presente ainda mais de verdade e ainda mais tempo, pois o relógio corre mais depressa quando tu existes comigo, e em mim. Imagino muitas vezes que tu és uma espécie de rebuçado e eu uma criança mais gulosa que a Grettel. É como se tivesse sempre um desejo enorme de te levar comigo para dentro de um livro, um lugar onde ninguém pudesse encontrar-nos. Todas as coisas são mais fáceis quando não temos de enfrentar ninguém, quando não temos de pensar sequer que existem outras pessoas. Imagina-te a ser um caramelo.   Queria que fosses de framboesas porque são o sabor que eu mais gosto. Depois andavas no meu bolso um dia inteiro. E sempre que quisesse punha a mão perto da anca e lá estavas tu, a viver o mesmo dia que eu. Depois pegava-te quando estivesse sozinha, e tirava essa película que te protege sempre que estamos no meio da multidão, que às vezes se define como sendo apenas mais uma pessoa. Aí, sem medos e sem protecções, podia finalmente sentir o teu sabor, doce, e derreter-te na minha boca. E depois ficavas em mim, como se a mim sempre tivesses pertencido. Por ti, uma dor de barriga valeria a pena.

Há coisas que mudam.
E outras? Bem, outras parece que não vão mudar.

terça-feira, 9 de abril de 2013

O que as mulheres querem


Somos constantemente criticadas por sermos o sexo fraco. Mas nem é aí que reside o problema. Complicadas. Dizem que somos complicadas. Somos? Afinal, de que precisam as mulheres? 

Desde que conheço "o mundo dos relacionamentos" que me dizem que nós pensamos demais, exigimos demasiado e nunca estamos satisfeitas. Aposto que eles não gostam, nem concordam, quando lhes dizemos que "os homens são todos iguais". E aposto também que não se lembram disso quando nos colocam a todas no mesmo saco. Nunca haveremos de conseguir delinear da mesma forma uma relação que não é a mesma. E até para a mesma relação, há várias linhas, que são tomadas de diferentes formas por parte de quem opina. Sim, que isto dos problemas no modo de lidar com a relação, começam e acabam quando a relação já não é nossa, mas "das pessoas".

Como faço parte do sexo fraco, mas não do saco, não coloco a parte pelo todo nas minhas mãos. As mulheres são as criaturas mais fantásticas de todas. Amamos mais que eles? Talvez... Talvez tenhamos aprendido desde pequenas a cuidar das coisas, a pentear bonecas, a criar casamentos e namoros entre a Barbie e o Ken, a regar as plantas para que crescessem saudáveis, enquanto eles brincavam ao pião, usavam pauzinhos pra construir fisgas, jogavam ao berlinde e fingiam ser guerreiros pra salvar o mundo.

Crescemos. E aí tornamo-nos mais capazes de ouvir. Mais capazes de compreender. Eles precisam de nós e nós precisamos deles. Mas fomos nós que nascemos com a intenção de criar. É aí que começamos a deixar que opinem sobre o que deveríamos fazer ou deixar de fazer. Precisamos de nos aconselhar com as amigas, com os amigos, com a mãe. É nesse ponto que sabemos que temos um problema em mãos - a relação ficou séria.

Nós... Nós estamos a rezar para que vocês sejam príncipes encantados, mas não estamos à espera que apareçam montados num cavalo e nos levem nele, para viver felizes para sempre. Até porque eu nunca entendi bem essa parte. Ainda não escreveram "A Bela Adormecida II" nem "Cinderella II", apesar de eu gostar de ler isso, um dia. Aí sim, quando as princesas tivessem de acordar todos os dias ao lado do príncipe, quando tivessem de lidar com o stress diário, com o mau tempo, com o mau humor, com a falta de tempo, com a falta de amor... isso sim, seria um desafio.

Quando estamos tristes, precisamos de vocês. Mesmo quando dizemos que não. O segredo está em saber ler as nossas pistas, prever as nossas acções e desejos. E não, não é difícil. Se não conseguirem saber exactamente do que precisamos naquele momento, então a relação ainda não está construída, deste modo, não está sólida. Nós precisamos que discutam connosco. Nenhuma mulher gosta de uma relação morna, parada. Mas não deve ser em exagero. Não nos encham a cabeça com gritos e problemas quando já estamos cheias deles. Ninguém ama o mesmo todos os dias. Embora a pessoa seja a mesma, o sentimento não é. Habituem-se com isso. Um dia somos nós que vos amamos mais, outro dia são vocês. Se vos pedirmos algo simples muitas vezes, não é por sermos chatas ou por acharmos que não ouviram. Na verdade, é porque achamos importante. Preferimos uma flor de um jardim dada num qualquer momento, do que um perfume caro. Nós, mulheres, preferimos um carinho, um beijo na testa, do que um ramo de flores gigante. Há sempre um de vocês que nos torna completas, que nos faz ser melhores e sentir-nos melhor connosco mesmas. E quando vos fazemos ciúmes, quando saímos de casa sem destino, quando vos provocamos, é só porque queremos a vossa atenção. Queremos ter certeza que sabem que não somos garantidas. Conquistem-nos, por favor, todos os dias.

As mulheres não querem ser guerreiras do mundo, como os homens queriam.
As mulheres? As mulheres querem ser as guerreiras da sua vida. Só.
E cada uma à nossa maneira, vencemos sempre.

terça-feira, 26 de março de 2013

Um abraço

conforta muito mais quando temos a certeza que há um pouco de nós na pessoa que abraçamos.

Vejo-me em ti. Vejo-me contigo. Tens um "q" de qualidade que sempre procurei sem saber existir. Confesso que tenho meia dúzia de fotos tuas no meu computador. Não é pra ver de hora a hora nem tão pouco pra te ver todos os dias. Gosto de passar por elas quando viajo pelas pastas carregadas de tantas outras coisas. Não é por seres o modelo de beleza física que as revistas procuram. Não é por seres cobiçado. Nunca me prendi a caras, mas sempre procurei padrões de beleza palpável, afinal, quem não sonha em poder ver a mesma pessoa todos os dias? Tu não és - só - isso. Acabarei mais "presa" ao quão misteriosamente transparente tu és? Gostava de saber ler-te. Gostava de existir noutro tempo. Gostava que tu existisses noutro tempo. E não. Gosto das coisas assim. 

Não gosto de ir embora. E não gosto de quanto te vais embora. Gosto de quando sorris. Gosto de te ouvir falar. Gosto de quando falas comigo. Não gosto quando estás calado. Gosto de te ouvir cantar. Não gosto quando sinto que estás longe. Gosto quando me ensinas. Gosto quando dizes bom dia. Não gosto quando penso demasiado nisto. Gosto de ter em mim todos estes sentimentos que me fazem escrever sobre isto e ao mesmo tempo gostava de não sentir absolutamente nada. Gosto de quando andas a vaguear na minha cabeça freneticamente como se estivesses numa sala de espera a aguardar a tua vez, que é a toda a hora. E não. Ao mesmo tempo, não gosto.

Mesmo que pouco, gosto de sentir.
Mesmo que pouco, gosto que me sintas.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Mais

complicado que um amor não correspondido, é um amor proibido.

Quando caminhas, o meu olhar segue os teus passos. Quando não estás, a minha mente imagina os teus movimentos. É estranho como olho para ti deste jeito, mas foi mais fácil habituar-me do que penso que seria desabituar. Parece que sei tudo o que pensas mas ao mesmo tempo não sei absolutamente nada. É difícil calar-me mas mais difícil ainda seria continuar a falar, como tu sabes que eu posso fazer. Mesmo não estando presente, preenches os meus dias, saltas no meu pensamento. Ficas todo o dia dentro dele como um miúdo a brincar num parque infantil. E como eu gostava que as minhas analogias se tornassem reais. Como seria bom ter-te todos os dias a baloiçar numa cordinha atada aos ramos da árvore mais alta de todas, no meu parque imaginário. Ver-te sorrir enquanto o vento te beija os cabelos e a força do movimento te empurra cada vez mais alto, até chegares ao êxtase. E depois saltavas. E ficavas bem de pé, ainda com esse sorriso na cara. Depois olhavas pra mim, ias lanchar, e voltavas ao que estavas a fazer. E mais tarde, quando eu fosse dormir, podia juntar-me a ti em segredo. E podíamos rir os dois, enquanto me empurravas nas costas, bem alto. E descansar debaixo da sombra da árvore que teria o baloiço pendurado.

Não sei se já conheço ou não o homem da minha vida. Não sei sequer se existe.
Mas há uma coisa que sei: se existir, vai ser muito parecido contigo.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Faz

tanto tempo que não te escrevo...


E mesmo assim, parece que te escrevi todos os dias. Na minha cabeça, eu sei que sim. Só não tinha a coragem de tornar público tanta barbaridade apaixonada que eu escrevo mentalmente. Foi aqui que começámos. Criei o meu blog pra me poder expressar e assim que te conheci passei a usá-lo para te dizer tudo o que não podia. Escrevia todos os dias, lembras-te? O meu objectivo era deixar-te com esse brilho dentro dos teus olhos verdes, que tu tens sempre que sorrio pra ti. Se conseguisse, eu era uma mulher mais feliz.

Estou longe de ti. Muito. E sinceramente nunca pensei ser eu a deixar-te fisicamente. A minha conexão a ti é única. Sinto-te dentro de mim como se tivesse sido ontem a última vez, ou a primeira. Lembro-me de nós sempre que estou triste. De todos os momentos que não vale a pena enumerar por serem tão vastos e tão nossos que mais ninguém pode compreender.

Estou longe de ti. Almoço sozinha. Não tenho quem me traga um pequeno almoço à cama ou quem me ligue quando acorda a desejar bons dias. Não existe mais a dor de te ver sair do meu quarto por teres de ir para as aulas. Não existe mais a dor de te ver ir embora porque vives com os teus pais e não podes ficar toda a noite comigo. No entanto, existe dor. E essa dor, é maior.

Estou longe de ti. Não te tenho mais a estacionar à minha porta ou a correr à chuva pra me ligar o quente do carro porque eu não sei. Não existe mais o teu jeito de me temperar a água ou de pegar a toalha quando quero sair do banho. Não há mais perguntas sobre o que é certo ou errado. Não há mais explicações sobre temas que nunca hei-de compreender, mas que saem da tua boca como se fossem a coisa mais interessante do mundo. 

Estou longe de ti. Mas ao mesmo tempo tão perto. Tão perto que quase consigo cheirar-te. Tão perto que posso fechar os olhos e despir-te subtilmente, enquanto te imagino a apagar a luz. 

Estou longe de ti. Mas um dia, tu sabes que um dia eu vou voltar.
E nesse dia, espero que não sejas tu a estar longe.
Amava-te perto. E amo-te longe.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Quero

adoptar um cão quando vivermos juntos.

E quero um destes. 

Até já imaginei um bebé montado em cima dele, e partilhar a sua papa e assim. Hoje estou bastante sonhadora. Às vezes é bom sabias? Pensar em ti como se nunca tivessemos, na vida, tido um único problema, um único entrave. Isso faz-nos parecer, realmente, apaixonados. E eu sei que somos. Eu sei. E sim, talvez esteja a dar em louca com isto. Mas sempre fui ...


Miminhos de gatinho* :)

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Digamos

que estou há meia hora a olhar pela fresta da minha janela.

E não há forma de vires. Não vens. Voltei a ficar assim por causa de ti, não é? Parece que gostas destas coisas. E eu que já me tinha esquecido de como era esta sensação. O meu nariz, desta vez, nem picou. Desataram a cair um bando de descontroladas lágrimas. As pessoas choram por motivos tão estúpidos. Quem dera. Quem me dera, que o meu motivo também o fosse. Não sei se fico em casa ou se mais vale sair. Sair daqui, desanoviar, espairecer, ver pessoas, falar com pessoas. Sabes, as minhas amigas estão à minha espera. E eu não ia sair. Fiquei imenso tempo deitada em cima da minha cama, de telefone nas mãos, enquanto a minha maquilhagem se borrava. Olho, mais uma vez, pra janela. Nada. O que é que faço contigo? Eu que já fiz tanto. O que é que faço desta vez? Tu não entendes, ou mostras não entender. E eu também não entendo o motivo de eu fazer sempre mais do que tu. Sempre fiz. E pensava que, desta vez, estávamos a igualar esforços. Pensei que tínhamos a mesma vontade, o mesmo olhar, o mesmo parecer. Enganei-me. Enganas-me. Sempre. Enganas-me sempre. 

(ufffffff)
O amor
dói.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Seis

da manhã e eu a pensar em ti.

Não em ti da forma que todos pensam. Um rapaz normal, banal a quem passa na rua, com mais que altura suficiente pra desfilar essas roupas que te acentam maravilhosamente bem. Ou com postura mais que suficiente para ter um emprego importante. Indo mais dentro da tua vida, pondo de parte o meu lado pessoal - sou suspeita - qualquer pessoa saberia ver como és um filho incrível e um estudante, agora, exemplar. É impossível não notar na tua vontade de fazer favores às pessoa que gostas. Isto, está à vista. Sabes... eu vejo para além disso.

Sei saber de ti. Sei saber o que tu queres, precisas. Sei saber o que desejas sem que abras a boca. Ultimamente, és mais meu. Mais que meu, és muito mais nosso. És quase totalmente nosso. E isso faz-me sentir que, afinal, as coisas não são em vão. Dás mais sentido à minha vida e és tu que fazes com que tudo possa ser atenuado. Toda a dor dói menos, agora que podes estar comigo deste jeito. É estranho falar tanto em ti e ter sempre tanto para dizer - mesmo que sinta que nada é novidade. És tu a pessoa que quero aqui. És tu a pessoa que quero a respirar ao meu lado todos os dias. Por alguma razão, desde o início, nunca soube aceitar a ideia de não estares presente, mesmo que não o dissesse a ninguém. Fazes com que eu sinta que tudo o que faço e tudo em que acredito tem um propósito . És o meu amor de segredo. Mas não é segredo nenhum que, connosco, é amor. Sempre escrevi textinhos repletos de emoção e carinho, sempre. Mas nunca, ninguém, por tanto tempo (já lá vão quase dois anos, dá para acreditar?), me fez escrever com tanta dor no peito. Dor de me sentir apertada. Dor de borboletas. Dor de uma borboleta grande, a maior do mundo. Dor de uma borboleta do tamanho da Rainha Alexandra Birdwings (sou óptima a googlar).

O sentimento que trago por ti, aqui no peito, amarrado, é maior que dez mil borboletas destas.
Bom dia de aulas, meu amor 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

muitas coisas que mudávamos, se pudesse ser.

Por vezes, dou por mim a pensar onde errámos e o que deveríamos ter feito de outra maneira. A nossa maldição não foi termos ciúmes, sermos feitos do mesmo material, sermos inconstantes, termos ambos medo de um dia queremos uma coisa e no outro dia, já não. A nossa maldição não foi sermos tão capazes de amar e prejudicar, do mesmo modo. Não foi sabermos existir em nós mesmos, criticando cada acção alheia, cada erro cometido que nos magoa a alma. Porque, quando nos desiludem, nós temos vontade de fazer a pessoa pagar por essa desilusão. Ignorando, batendo, gritando, inferiorizando. A única diferença é o nosso modo de fazer pagar, tão diferente mas tão dorido, de igual modo. E depois, sentimos necessidade de um porto seguro. Alguma coisa ou alguém sempre lá. Temos uma relação doentia e de necessidade absoluta com uma acção, pessoa ou objecto que nos eleva a mente, o ego, cada vez que nos destroem. A mim, deram-me a escrita: é lá que me refugio. A ti, só tu saberás.

A nossa maldição, foi o tempo, que nos juntou e separou.

O nosso tempo não era aquele. Talvez esse tempo, nos deixe encontrar de novo, noutro tempo, de cabeça limpa e mente calma - o tempo que será o certo.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Por

vezes gostar dói.

Uma dor que queima como aquela ponta de cigarro que nos encostaram, sem notar, mesmo naquela parte de dentro do braço entre a axila e o cotovelo. Há vezes em que "está tudo bem", e dói. Dói na mesma. Dói mais ainda. Porque o nosso "estar bem" é um "estar bem" que, na verdade, nunca esteve. O amor não deveria precisar de mentiras, segredos e enrolações, para existir sem conflitos. Há dias em que eu desejava não ser faladora, extrovertida. Não gostar de discutir os assuntos aos berros e à chapada. Não ser mesquinhamente julgada por ter os meus ciúmes exagerados.

Há dias em que eu gostava de nunca ter tido a infeliz ideia de ter dito alguma coisa que devia ter dito e disse. 
E há outros... Bem, há outros em que eu gostava que gostasses de mim como eu destes dias.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Anéis

fora dos dedos. É aí que começa cada final de um dia meu.

Depois de tirar a tampa à minha pequena caixa cor de rosa, que cuido religiosamente, eles ficam ali, junto com os outros. Não tenho nunhum que goste mais, gosto de todos. Mas tenho alguns que uso mais. É assim em tudo. Tudo se assemelha à estúpida fixação que eu tenho por eles. Gostamos sempre de tanto. Pedimos tanto. Queremos tanto. Nós, criaturas femininas. Contentamo-nos com tanto e com tão pouco ao mesmo tempo. Somos tão mesquinhamente controladas por eles, por ele. Ah, amor vil que nos sugas tudo o que de melhor temos. Oh, criatura miserável que nos controlas os sonhos e pensamentos. Quero ser dona deles e és tu quem o és. Deixa-me ou fica comigo. Larga-me ou amarra-me a ti. Não, nunca me tenhas como alguém que tiras dos dedos ao final do dia, e misturas no fundo de todas as outras, para usar amanhã, se te apetecer...